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ESPECIAL: CLARO ATIVARÁ SINAL 5G EM BAIRROS DE SÃO PAULO E RIO DE JANEIRO SEMANA QUE VEM

Fotos: Divulgação

8 de julho 2020

Por Circe Bonatelli/O Estadão

A tão aguardada tecnologia de internet móvel de quinta geração (5G) já tem data e local para estrear no Brasil. Ela será ativada na próxima terça-feira, 14, em São Paulo e no Rio de Janeiro, com a cobertura restrita a alguns bairros. Será a primeira rede 5G da América Latina.

Por enquanto, a novidade será uma exclusividade da Claro. A operadora decidiu tomar um “atalho” para oferecer a nova geração de internet antes das concorrentes. A operadora vai empregar uma tecnologia desenvolvida pela Ericsson que permitirá à tele ligar o 5G nas frequências (espécies de “rodovias” por onde trafegam os sinais) já usadas para 4G, 3G e 2G. A mesma estratégia foi adotada recentemente por operadoras que quiseram antecipar a cobertura em países como Estados Unidos, Alemanha e Suíça, por exemplo.

A expansão do 5G em larga escala no Brasil ainda depende do leilão das faixas de frequências que será promovido pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O certame estava previsto para 2020, mas ficou para 2021, ainda sem data definida. É quando serão leiloadas as faixas específicas pelas quais o sinal do 5G vai alcançar todo o País, sendo que a principal delas será a de 3.500 Mhz. O leilão está atrasado porque a Anatel ainda estuda como evitar que o 5G “trombe” com o sinal de parabólicas, que também usam a mesma frequência.

“Algumas coisas ainda dificultam a expansão do 5G no Brasil. Daí a importância de evoluir a partir das redes já disponíveis”, diz Paulo César Teixeira, presidente da unidade de consumo e empresas da Claro. Nessa operação, a Claro vai usar, inclusive, frequências que pertenciam à Nextel, operadora adquirida no início deste ano. “Isso não significa que não vamos participar do leilão. Estamos investindo no 5G dentro de uma fase inicial, que se complementará com o leilão no próximo ano”, diz.

5G terá cobertura inicial em São Paulo e Rio

No Rio de Janeiro, a cobertura do 5G começará por Ipanema. Até o fim de setembro, chegará também a Leblon e Lagoa, se expandindo por toda a orla, do Leme até a Barra da Tijuca, passando por Jardim Oceânico, Joá, São Conrado e Copacabana.

Em São Paulo, a cobertura parte da região da Avenida Paulista e dos Jardins. Na sequência, vai para Campo Belo, Vila Madalena, Pinheiros, Itaim, Moema, Brooklyn, Vila Olímpia, Cerqueira César, Paraíso, Ibirapuera, além de eixos da Berrini e Santo Amaro. Haverá ainda um ponto em Paraisópolis compartilhando o sinal para uso gratuito por moradores da comunidade em projetos de educação e saúde.

A Claro promete que o 5G terá conexões 12 vezes mais velozes que o 4G convencional. Segundo Teixeira, nos testes já foram registrados picos de até 400 megabytes por segundo, valor bem maior que a velocidade média da banda larga no País, na casa dos 50 megabytes por segundo. Logo de cara, isso permitirá, por exemplo, que os usuários acessem jogos em alta definição na nuvem, dispensando consoles físicos. Para os próximos meses, o setor aposta no surgimento de novos aplicativos, assim como aconteceu com Uber, Ifood e Netflix, entre tantos outros que foram criados após o lançamento do 4G.

Na estreia do 5G, os brasileiros ainda terão de lidar com a pequena disponibilidade de dispositivos para rodar o 5G no País. Para contornar o problema, a Claro fechou parceria com a Motorola, que está lançando agora seu smartphone Motorola Edge, com tecnologia da Qualcomm. Ele sai por R$ 3,2 mil se adquirido com plano da operadora. A produção do aparelho é nacional, realizada nas fábricas da Motorola de Manaus (AM) e Jaguariúna (SP).

Apesar da crise provocada pela pandemia, as companhias envolvidas na chegada do 5G disseram estar otimistas. “Muitas empresas cortaram investimentos. Nós estamos fazendo o contrário: aumentando”, afirma o presidente da Motorola no Brasil, José Cardoso.

Segundo ele, as vendas de celulares voltaram a crescer em junho e já estão maiores do que no mesmo mês do ano passado, mesma percepção compartilhada pelo representante da Claro. “As pessoas cortaram gastos ao ficar mais tempo em casa, e o celular virou o seu maior amigo. Há maior preocupação com a qualidade do celular para fins de comunicação, trabalho e lazer. Então vemos uma onda de renovação de equipamentos”, diz Cardoso.

Essa renovação tende a ganhar tração a partir dos próximos meses, com a chegada da nova geração de internet. Pelas projeções da Ericsson, os usuários do 5G serão cerca de 200 milhões ao redor do mundo no fim de 2020, alcançando a marca de 2,8 bilhões no fim de 2025. “Não tenho nenhuma dúvida de que o 5G será a tecnologia mais importante das próximas décadas”, afirma o presidente da Ericsson na América Latina, Eduardo Ricotta. A companhia, que tem uma fábrica em São José dos Campos (SP), está investindo aqui R$ 1 bilhão em pesquisa e desenvolvimento de equipamentos para redes de 5G.

Fonte: O Estadão