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Curriculum mortis

Mario Sergio Cortella é um filósofo, escritor, educador, palestrante e professor universitário brasileiro. É autor de vários livros, entre os quais Por que Fazemos o que Fazemos?, em que analisa a vida profissional na contemporaneidade.

26 de abril de 2020

Por Mario Sergio Cortella

Ao lermos o currículo de alguém, a sensação é de que se trata de uma pessoa bem-sucedida. Claro. De maneira geral somos nós mesmos que fazemos o currículo, então destacamos os nossos atributos. Existem dois lugares em que os seres humanos são perfeitos: um deles é o currículo. O outro é lápide de túmulo. Pelas descrições pode-se concluir que não existe um canalha enterrado. No cemitério estão lá: “pai amantíssimo”, “mãe dedicada”, “filho amoroso”, “irmão incansável”…

Quando fui secretário de Educação da cidade de São Paulo e precisava nomear um assessor, eu pedia que, além do curriculum vitae, o candidato me enviasse um curriculum mortis. Um registro do que ele fez e deu errado, Sabe por quê? Porque não é possível conhecer alguém apenas por aquilo que fez e deu certo. Ninguém faz tudo certo o tempo todo, de todos os modos.

É de conhecimento geral que Thomas Edison inventou a lâmpada elétrica de corrente contínua. O que pouco se fala é que até concluir esse feito, ele havia feito 1430 experiências que falharam. Ele mesmo registra isso: “Inventei 1430 modos de não fazer a lâmpada”. E saber o que não fazer é tão importante quanto saber o que fazer.

Mas Thomas Edison fez uma coisa especial na vida: ele errou 1430 vezes e não desistiu. Ele tinha aprendido uma coisa: não há fracasso quando você erra. Só há fracasso quando você desiste após ter errado. O erro está na desistência. Qualquer um e qualquer uma de nós é capaz de errar. O fracasso vem quando você, tendo errado – em vez de persistir, de buscar, de tentar refazer e reinventar – desiste.