Brasil já é o terceiro país do mundo com mais infectados por Coronavírus

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Foto: Divulgação

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Bolsonaro continua as violações das diretrizes de isolamento

Fonte: The Guardian-Londres / www.centraldejornalismo.com.br

O Brasil ultrapassou o Reino Unido e se tornou o o terceiro maior em número de infecções confirmadas por coronavírus, em meio a avisos de seu ex-ministro da Saúde de que três meses dolorosos estão por vir.

A maior economia da América Latina já registrou 254.220 casos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da Rússia e à frente do Reino Unido, que na segunda-feira tinha 247.706.

Enquanto isso, no México – a segunda economia da região – as alegações de que as mortes de Covid-19 estavam sendo dramaticamente subconta adicionaram combustível a uma batalha política cada vez mais amarga sobre a resposta do governo à pandemia.

O Brasil sofreu oficialmente 16.792 mortes de Covid-19 – o sexto número mais alto do mundo – embora as subnotificações e as baixas taxas de testes signifiquem que o número real provavelmente será consideravelmente mais alto.

Um jornal líder, O Globo, afirmou que o ex-ministro da Saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta, temia que o número de mortos chegasse a 150.000.

Apesar da intensificação da crise de saúde pública, as primeiras páginas brasileiras continuam a ser dominadas pela turbulência política que envolve a presidência de extrema direita de Jair Bolsonaro.

Dois ministros da saúde deixaram o governo Bolsonaro no espaço de um mês, com o mais recente, Nelson Teich, demitindo-se na última sexta-feira depois de colidir com o presidente. O antecessor de Teich, Mandetta, foi demitido em meados de abril depois de questionar publicamente a violação das diretrizes de distanciamento social de Bolsonaro.

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo na segunda-feira, Mandetta pintou um retrato sombrio da situação que seu país enfrentava.
“O Ministério da Saúde é um navio que perdeu o rumo”, disse Mandetta, alertando que o Brasil passou apenas dois meses em um período traumático de cinco meses que só começaria a normalizar em setembro.

Mandetta previu que pelo menos três grandes cidades – Manaus e Belém, na Amazônia, e Fortaleza, no nordeste – teriam que impor bloqueios por causa da rápida disseminação do coronavírus. As autoridades de Manaus foram forçadas a cavar valas comuns para as vítimas do Covid-19 por causa do número crescente de mortes.

O enfraquecimento deliberado de Bolsonaro das medidas de distanciamento social e quarentena provocou indignação e viu a oposição ao seu governo aumentar – embora o populista de direita continue a ter um forte apoio.

Miguel Lago, diretor do Instituto de Estudos de Políticas de Saúde do Brasil, disse temer que o levante político comprometa os esforços para salvar vidas.

“É terrível ver que o Brasil está mais preocupado com a política do que com a saúde … É absurdo que, no meio de uma crise humanitária, estamos discutindo tanto a política mesquinha”, disse ele. “Mas acho que essa é a estratégia de Bolsonaro”, acrescentou Lago, argumentando que o presidente estava tentando se distrair e negar o impacto humano e econômico negativo da pandemia. “Há muitas discussões importantes que deveríamos estar tendo. Como podemos combater a crise econômica? Como podemos combater a crise da saúde? Como podemos melhorar nosso sistema de saúde durante e após a crise do coronavírus? Como podemos lidar com a perda de 10% do nosso PIB? Mas nenhuma dessas discussões está ocorrendo. Tudo o que estamos discutindo é política” reclamou Lago.