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Brasil – A tragédia anunciada se aproxima

Foto: Divulgação

Panorama da tragédia pandêmica e suas implicações políticas

Por Marcelo Pires 

A situação é muito mais complexa do que aparentemente se apresenta. Não exclusivamente por conta da pandemia que assola a humanidade, mas especialmente pela forma como tem sido usada por interesses políticos em estratégias que sonegam ações objetivas de contenção da tragédia e privilegiam sua natural expansão como forma de criar o ambiente adequado aos interesses de ocasiões dos governantes – aqui uma menção direta a governantes fascistas, por certo, fato que os governantes bem intencionado e cientes das agruras do povo estão tomando decisões conscientes, consistentes, assertivas e mitigadoras dos danos.

Cito mitigação de danos porque não será possível evitá-los em absoluto.
Essas ações e medidas tortas, insuficientes e inadequadas que foram e/ou estão sendo adotadas podem ser percebidas mediante a observação de governantes como Trump e Bolsonaro, seu fiel imitador – mesmo quando a imitação é de mau gosto, e os resultados que tem se manifestado nesses países, não por acaso. Como sabemos, apesar do negacionismo de alguns, e da jocosa interpretação e malabarismos com números por outros, os casos de contaminação crescem exponencialmente e o de mortes já representam algarismos comparáveis a uma guerra. Guerra em que se perde.

Também é ilusão interesseira e/ou miopia científica colocar a culpa na China. Como se a China, um dos países que sofrerá as maiores derrotas na economia pós pandemia, quisesse ou tivesse interesse em seus resultados. Para quem ainda acredita nas teorias da conspiração ou ancora suas percepções no preconceito e achismos, é chegada a hora de olhar os fatos.

No mundo pós pandemia será privilegiada a retomada de processos industriais locais e redução de transações entre nações, constituindo o primeiro golpe no esquema atual de comércio internacional, afetando principalmente a China na divisão internacional do trabalho.

Mas não é este o foco da abordagem que tento desenvolver aqui. Em outro momento podemos avançar na análise de cenário da geopolítica internacional. Aqui busco tão somente destacar que o vírus não pode ser contido e que existem políticas públicas e ações que devem ser adotadas em específico para administrar a pandemia. Mas também que a situação está sendo usada por políticos sem escrúpulos e sem compromisso com o povo.

No primeiro caso as medidas de contenção servem para impedir o colapso do sistema de saúde e impedir que as pessoas morram massivamente sem acesso a atendimento, tanto para salvar vidas como para mitigar o sofrimento de quem não sobreviverá.

Atingimos 7 milhões de infectados, ou seja 0,10% da população mundial aproximadamente, e caminhamos para 1/2 milhão de óbitos. Pela óbvia matemática da evolução do sistema quando atingirmos 1% de infectados da população da terra, 70 milhões de pessoas, os números de vítimas poderão alcançar 5 milhões. E chegaremos lá. Mas essa chegada poderá ser diluída em vários anos ou acontecer mais rápido.

A covid está entre nós e permanecerá daqui por diante, até que tenhamos inventado/descoberto uma vacina (o que não sabemos ainda em detalhes como será e se será – a ciência tem seus caprichos, e “ainda” não sabemos se uma vacina será aplicável ao caso do coronavírus), ou encontrarmos respostas medicamentosas para tratar a doença, se não podemos neutraliza-lá.

Por enquanto as duas questões estão ainda sem resposta, e ansiamos por elas ardentemente, sem contudo nos iludirmos, negar a realidade, criar saídas fáceis. Não será fácil, olhando de onde estamos, mas amanhã tudo pode ser diferente. É um mundo novo que nos exige repensar nossas vidas diante de algo inusitado para o que não temos resposta, solução ou forças para resistir. Devemos e precisamos nos adaptar.

Nesse cenário caberia a quem tem o poder de decisão, prover as melhores alternativas para impedir o avanço rápido da contaminação e com isso diminuir as perdas de vidas decorrentes de um colapso do sistema, como também proporcionar melhores condições de resistência a quem adquiriu a forma mais grave de manifestação da doença e precisa de tratamento mais intensivo, por mais tempo e exigindo mais cuidados.

O caso é que os governantes que mencionei acima apostaram em ações e atitudes contrárias a essa lógica. Eles não podem negar o conhecimento dos fatos, pois a ciência os advertiu seguramente sobre a forma e os termos em que esse processo da pandemia evoluiria.

Então, saindo um pouco da generalidade analítica, fato que as ações desses governantes lá e aqui encontram cenários internos distintos com repercussões distintas e implicações também distintas, vamos focar no caso brasileiro e avançar na análise de como vem se dando os desdobramentos por aqui.

Observamos que apesar do governo central negar, desde o princípio, a pandemia como tragédia mundial, mesmo tendo sido a comitiva presidencial um dos vetores de difusão do vírus no Brasil, após uma visita aos USA, quando mais de vinte integrantes voltaram contaminando ou se contaminaram mutuamente durante a viagem e ajudaram a espalhar o vírus aqui no país, essa negação não impediu nem evitou os efeitos que estamos vendo hoje com mais de 40 mil vítimas em menos de três meses (a primeira morte confirmada por covid foi no dia 16 de março).

Então, saímos do zero e chegamos em 40 mil vítimas em três meses. Podemos extrapolar essa percepção para o número de infectados e assim imaginar que tudo isso é proporcional e que a evolução se dá em razão exponencial. Então o negacionismo dos efeitos da pandemia e adoção da retórica da “gripezinha” não foi a resposta adequada nem aqui nem lá nos USA que já chegou a mais de 114 mil óbitos e cerca de mais de 2 milhões de infectados.

Os presidentes, lá e aqui, foram advertidos pelas agências de inteligência das afetações inegáveis que seriam trazidas pela pandemia, e também não faltaram avisos vindos do campo científico e outros setores que também manifestaram preocupação e divergência com a forma adotada para tratar do tema como também a respeito das ações desencadeadas ou não para evitar essa tragédia.

Ocorre que ciente das implicações que o caso traria esses presidentes preferiram armar um circo negacionista e fugidio tentando minimizar os fatos e propor curas milagrosas – nenhuma delas confirmada, nem a gripezinha, nem remédios para tratar a doença – como forma de terceirizar as competências e tentar fugir a responsabilidade esquivarem-se das cobranças pela inoperância e incapacidade diante da tragédia que se anunciava.

Hoje o debate mostra que muitos cidadãos foram e estão sendo manipulados quando afirmam que a responsabilidade não cabe ao governo federal pois a tarefa de conduzir as ações foi delegada aos estados e municípios. Isso não é verdade. Pelo contrário, há tarefas que cabem exclusivamente ao governo federal e que não podem, tanto do ponto de vista legal como estrutural e operacional, serem colocadas em prática por estados e municípios, senão pelo próprio governo federal.

A despeito do esforço, com erros e acertos, adotado pelos estados e municípios para responder as demandas impostas pela pandemia, o governo federal pouco tem feito e não apresentou durante todo esse tempo nem ao menos uma estratégia nacional de combate a pandemia ou mitigação de seus efeitos.

A delegação, deliberada, dessa tarefa exclusivamente aos demais entes federados está inserida na estratégia de eximir-se de responsabilidade. Desde o início essa estratégia esteve presente na lógica operativa do governo federal. Não por ilusão ou desconhecimento sobre o tema, pelo contrário, o governo sabia desde o início quais seriam as implicações dessa pandemia pois foi bem avisado pela comunidade científica nacional e internacional, além das agências de inteligência, sendo então o negacionismo e as escapadas cloroquinianas uma composição estratégica para tentar terceirizar a responsabilidade que lhe cabia e repassar aos estados e municípios o ônus da crise.

A ideia sempre foi criar o cenário adequado para uma escapada. Hoje cidadãos se debatem sobre as responsabilidade e competência do enfrentamento da pandemia acusando gestores públicos em estados e municípios enquanto nada dizem sobre ações que deixaram de ser tomadas e ainda hoje não existem por parte do governo federal.

Mesmo o julgamento de competência firmado pelo STF em março sobre quem teria prerrogativas para agir no combate a pandemia firmando que estados e municípios estão amparados no âmbito da competência concorrente, ou seja, que se o governo federal não toma providências cabe ao gestor estadual ou local agir, criou na cabeça de muitos cidadãos a ideia de que nada caberia ao governo federal.

O que ficou evidente naquele momento é que a inoperância do governo federal exigia ações dos estados e municípios em temas que não lhe cabiam mas que pela ausência do governo Federal seriam então adotados e desenvolvidos nas esferas estadual e municipal. Então a medida adotada pelo STF não converte-se em salvo conduto ao governo federal, tão somente declara que estados e municípios tem liberdade de agir em suas esferas quando o governo federal não adotar medidas que a ele são cabidas.

A ação do governo federal no combate a pandemia é de tal monta inconsistente e inepta que bastaria ao cidadão mais desatento observar a adoção ou não de alguns procedimentos para perceber que algo está errado.

Imaginem que diante de 40 mil mortos e 800 mil infectados oficialmente (sabendo-se que é fato a subnotificação de casos de mortes, e também não há testagem massiva para confirmação de casos de contaminação) não há sequer uma campanha publicitária nas redes de TV aberta sobre formas de prevenção e minimização de riscos à população.

Hoje senhores e senhoras, sequer podemos saber ao certo quantos casos de contaminação e mortes estão ocorrendo porque o governo nega essa informação por meio de seu ministério da saúde que sequer tem um ministro titular da pasta!

Estamos diante de uma tragédia anunciada, sabida, avisada. E sabemos todos quem são os responsáveis. Não nos enganemos nem deixemos que nos enganem.

Fonte: CENTRAL DE JORNALISMO